08 OUTUBRO 2022  Sábado

Quarteto de Cordas & Piano

17h00 Igreja de São Francisco

 

Filipe Pinto-Ribeiro Piano
Juventus Ensemble
Mălina Ciobanu
Violino
Manuel de Almeida Ferrer
Violino
João Álvares Abreu
Viola
Pedro Gomes Silva
Violoncelo

PROGRAMA
Eurico Carrapatoso  (1962-)
Llaços, contradanças e descantes
    I. Searas
    II. Rabatida
    III. Ninho
    IV. Encomendação
    V. Malhadas  
 
Antonín Dvořák  (1841-1904)
Quinteto com Piano N.º  2, Opus 81
    I. Allegro ma non tanto
    II. Dumka: Andante con moto
    III. Scherzo: Furiant
    IV. Finale: Allegro
 
 
NOTAS AO PROGRAMA
 
Carrapatoso
A inspiração longínqua desta obra foi uma festividade típica a que o autor (natural de Mirandela) assistiu nas vizinhas Terras de Miranda, há cerca de 25 anos, e que envolviam conjuntos de pauliteiros (grupo de Pauliteiros de Palaçoulo, localidade perto de Miranda do Douro), configurando-se esta obra como a consubstanciação do intenso apelo telúrico e forte sentimento de pertença aí experimentados.
‘Llaços, contradanças e descantes’ divide-se em cinco andamentos, intitulados: Searas, Rabatida, Ninho, Encomendação e Malhadas – todos eles remetendo para o imaginário transmontano.
A obra é de recorte tonal, sendo que a tonalidade é nela dada pelos ‘canti firmi’ (na origem, ‘canti firmi’ são melodias de proveniência gregoriana ou profana, que serviam depois, mais ou menos alteradas ritmicamente, de voz-base a novas composições polifónicas), em que cada andamento, de forma implícita ou explícita, se baseia e que são eles próprios fragmentos de melodias tradicionais transmontanas – autênticas, ou então originais do autor, conquanto de inspiração tradicional. Referências para os mesmos foram as recolhas efectuadas há quase um século por Rodney Gallop, Kurt Schindler e Daniel Loddo. A estreia absoluta de ‘Llaços, contradanças e descantes’ ocorreu a 21/11/2017, na Casa da Música (Porto), pelo Quarteto de Matosinhos, dedicatário da obra.
 
Dvorák
O Quinteto Opus 81 é fruto da plena maturidade artística de Dvorák, tendo nascido da vontade de rever um Quinteto de juventude. O resultado dessa recomposição foi uma obra-prima da música de câmara do século XIX e uma ilustração eloquente do que foi o Romantismo musical centro-europeu sob a forma de música instrumental de câmara.
O 1.º andamento é uma forma-sonata, com um Tema recorrente, exposto logo de início pelo violoncelo e, mais tarde, separando os 2 temas principais. Essa tripla entidade temática é elaborada no Desenvolvimento, sendo que uma ‘falsa Reexposição’ precede a aparição da propriamente dita. A Coda é cumulativa.
O ‘Andante con moto’ é o coração pulsante da obra: ele adopta a forma narrativa da ‘dumka’, com uma secção principal lenta, meditativa e algo melancólica, alternando com episódios mais rápidos. A Coda vai-se precipitando nos graves até expirar.
De vida transbordante, o Scherzo toma os seus ímpeto e rítmica da dança checa ‘furiant’. Tem 3 elementos principais: o ‘furiant’ propriamente dito, uma melodia mais prazenteira (no violoncelo) e uma melodia circular que parece música de realejo (no violino). Mesmo o Trio é uma versão lenta desse ‘furiant’, mas ele próprio é intercalado por uma passagem em estilo-coral que nos leva ‘a outra dimensão’.
Um ‘pórtico’ prepara o tema principal do Finale, o qual lembra um ‘perpetuum mobile’, com um tema secundário mais ‘gaiato’ (no violino) e 2 ideias secundárias (a 1.ª lembra Schumann, a 2.ª uma dança boémia). Um ‘fugato’ bem no centro trará a “sugestão” do Coral, que reaparece na íntegra pouco depois, preparando a Coda, de efeito brilhante.