09 OUTUBRO 2022  Domingo

Concerto de Encerramento
Gala de Ópera

 

17h00 Teatro Municipal de Bragança

 

Lena Belkina Mezzo-Soprano
Matthias Samuil
Piano

 
PROGRAMA
Christoph Willibald Gluck (1714-1787)
Da ópera “Orfeo ed Euridice”
– Che farò senza Euridice? (Orfeo)
Da ópera “Paride Ed Elena”
– O del mio dolce ardor (Paride)
 
Wolfgang Amadeus Mozart (1756-1791)
Da ópera “Don Giovanni”
 – Ah chi mi dice mai (Donna Elvira)
Da ópera “Le Nozze Di Figaro”
– Voi che sapete che cosa è amor (Cherubino)
Da ópera “La Clemenza Di Tito”
– Parto, ma tu ben mio… Guardami, e tutto oblio (Sesto)
 
Fryderyk Chopin (1810-1849)
Nocturno em Dó sustenido menor, Op. Póstumo
Lento con gran espressione
 
Jules Massenet (1842-1912)
Da ópera “Werther” 
– Werther! Werther!… Des cris joyeux d’enfants (Charlotte)
 
Camille Saint-Saëns (1835-1921)
Da ópera “Samson et Dalila”
– Mon cœur s’ouvre à ta voix (Dalila)
 
Georges Bizet (1838-1875)
Da ópera “Carmen”
– Près des remparts de Séville (Carmen)
– Les tringles des sistres tintaient (Carmen)
 
Gaetano Donizetti (1797-1848)
Da ópera “La Favorite”
– O mon Fernand (Léonore)
 
NOTAS AO PROGRAMA
 
O ‘Orfeo ed Euridice’ de Gluck estreou em Outubro de 1762, no Burgtheater de Viena. A ária ‘Che farò senza Euridice?’ é talvez o momento mais famoso de toda a ópera. Ela aparece no acto 3, logo após a 2.ª morte de Eurídice, por Orfeu ter quebrado a condição que fizera a Amor para a poder trazer do reino dos mortos: não olhar para ela até alcançar a superfície. ‘Páris e Helena’ estreou no mesmo teatro, mas em Novembro de 1770. Conta a história da fuga da bela Helena, mulher de Menelau de Esparta, na companhia de Páris, filho do rei Príamo de Tróia, evento que originou a Guerra de Tróia. A ária ‘O del mio dolce ardor’ provém do acto 1 e é uma declaração de amor de Páris àquela que era tida como a mais bela mulher da Grécia.
‘La clemenza di Tito’, uma ‘opera seria’, data de 1791 e foi escrita para a coroação de Leopoldo II da Áustria como rei da Boémia. A ária ‘Parto, ma tu ben mio’, surge no acto 1 e expressa os sentimentos do jovem Sesto, após Vitelia, filha do imperador deposto (que ele ama) e que só sonha em ser imperatriz, o urgir a matar o imperador Tito, de quem ele porém é muito amigo.
De notar que as 3 árias acima foram todas elas escritas para ‘castrati’ (contralto em Orfeo e sopranos para Paride e Sesto).
Diferente é o caso da ária seguinte, destinada desde início a uma mulher, embora a personagem seja um rapaz (adolescente) chamado Cherubino. ‘Voi che sapete’ (acto 2, cena 2) é uma canzonetta que Cherubino escreveu, destinada à sua ama, a Condessa Almaviva (ele é pajem do Conde e tem uma paixoneta pela Condessa) e que canta para a Condessa e para Susanna (camareira da Condessa) nos aposentos da primeira.
‘Ah, chi mi dice mai’ é a ária de apresentação da personagem Donna Elvira. Por ela ficamos a saber que foi abandonada pelo seu amante na cidade donde é natural e que anda desde então no seu encalço para se vingar (mas também não se importa se o reconquistar…). O amante, claro está, é Don Giovanni, que, escondido, a está a ouvir…
Saltamos quase um século, mas permanecemos em Viena, onde foi estreado o ‘Werther’ (em tradução alemã) de Massenet, em Fevereiro de 1892. A ária que ouvimos aparece na cena 1 do acto 3 e, nela, Charlotte reconhece que tem ‘a alma plena’ de Werther; uma 2.ª secção mais animada prepara o contraste com o ominoso final, que pressagia o suicídio de Werther.
A ária de Dalila surge no final do 2.º acto. O engraçado nela é confrontar a inebriante linha vocal (e orquestração que a acompanha) com o facto de se tratar de um puro ardil orquestrado por Dalila, para levar Sansão a confessar-lhe o segredo da sua força. Como sabemos pela Bíblia, ela foi bem-sucedida…
Da ópera mais famosa da história – Carmen de Bizet – ouvimos 2 dos seus mais famosos trechos: a ‘Seguidilha’ (do 1.º acto) e a ‘Canção boémia’ (início do 2.º acto) – sendo que ‘boémia’ deve ser entendido como sinónimo de ‘cigana’. Ambos são a perfeita ilustração do magnetismo e sedução emanados pela cigana Carmen.
‘La favorite’ estreou em Dezembro de 1840 em Paris. A ária que ouvimos provém do acto 3 e descreve os sentimentos de Léonore logo após ser determinado que casará com Fernand: a alegria, pelo amor que os liga; e o receio, pelo segredo que lhe faz de ter sido a amante do rei. A versão italiana desta ópera data de 1842 e foi nesse ano ouvida em 3 cidades: Pádua, Berlim e… Lisboa!
O Nocturno em dó# menor é um lídimo exemplo do género, com os seus trilos líquidos, o canto no registo agudo, o acompanhamento em ondulado de harpejos, as ‘petites notes’, os desenhos em cascata, tudo concorrendo para um clima de enormes poesia e serenidade.