30 SETEMBRO 2022  6ªfeira

Concerto de Abertura

 

21h00 Teatro Municipal de Bragança

 

Orquestra de Câmara de Viena
Mario Hossen  Violino e Direcção musical 

PROGRAMA
I
Wolfgang Amadeus Mozart (1756-1791)   
Concerto para Violino e Orquestra N.º 5 KV.  219
    I. Allegro aperto
    II. Adagio
    III. Rondeau: Tempo di Menuetto
 
Niccolò Paganini (1782-1840)                     
Tema e Variações sobre o tema “Preghiera”, da ópera “Mosè in Egitto” de Rossini
Tema e Variações sobre o tema “I Palpiti”, da ópera “Tancredi” de Rossini
 
II
Joseph Haydn (1732-1809)                          
Sinfonia N.º 49, “La Passione” 
    I. Adagio
    II. Allegro di Molto
    III. Menuet e Trio
    IV. Finale: Presto
 
NOTAS AO PROGRAMA
 
Fenómeno de maravilhamento e estupefacção como nunca se tinha visto, modelo para todos os virtuoses itinerantes do século XIX, Niccolò Paganini (1782-1840) foi exímio violinista, violetista e guitarrista, além, claro está, de compositor.
Sendo voga e quase um ‘must’ na época, o seu repertório incluía peças que glosavam trechos operáticos conhecidos, pejando-os depois de ‘pirotecnias de escrita’. Ora no período 1815-30, a voga tinha um nome: Rossini. Daí, as obras que hoje ouviremos, originalmente destinadas a violino e orquestra: as ‘Variazioni di bravura – Mosè’, datam de 1819 e têm por tema uma ária da ópera ‘Mosè in Egitto’. Apresenta uma Introduzione (‘Adagio’) com o tema da ópera, o 2.º tema (‘Tempo alla marcia’), o qual é a seguir sujeito a 3 elaboradas variações, concluindo a peça um ‘Finale’ de grande efeito.
Por seu turno, o Tema e variações sobre ‘I palpiti’ usa a cabaletta ‘Di tanti palpiti’ da ópera ‘Tancredi’ (1813, Veneza). Apresenta um ‘Larghetto cantabile’ introdutório, um Recitativo (‘con gran espressione’), seguindo-se o tema ( ‘Andantino’) e 3 Variações. Esta obra foi escrita (e estreada) em Viena, cidade que o compositor ‘tomou de assalto’ durante os 4 meses que ali passou (Mar-Jul 1828).
 
‘La passione’ (o título é apócrifo) é uma famosa sinfonia de Haydn, quiçá com origem no teatro. Data de 1768 e tem a particularidade de ter um andamento ‘Adagio’ em 1.º lugar, só depois vindo o ‘Allegro di molto’. Esse ‘Adagio’ apresenta um motivo inicial que recorre, literal ou modificadamente, nos restantes andamentos e que é muito semelhante ao que Schubert usará na famosa canção ‘A morte e a donzela’. O carácter sombrio, ora dramático, ora melancólico, da obra só tem um parêntese no Trio do Menuet, com os seus solos de oboés e trompas. Os temas principais dos andamentos rápidos (2.º e 4.º) são ambos muito conhecidos. Notável nesta sinfonia é a concentração expressiva, do material e do trabalho temático que ela evidencia de início ao fim.
 
O Concerto KV. 219 foi o último que Mozart, então com 19 anos, destinou ao violino solista. Ele data de Dezembro de 1775 e é por vezes chamado de ‘Turco’ por via do episódio intercalado (um irrequieto ‘Allegro’) no centro do fleumático ‘Rondeau’ final, cuja escrita convoca vários ‘topoi’ da época associados à música turca e das bandas de janízaros. Nos restantes andamentos, ressalta o tema principal do ‘Allegro aperto’, que lembra o da ‘Sinfonia concertante, KV. 364’, mas em sentido contrário, e a 1.ª entrada do solista, com um ‘Adagio’ tematicamente estranho ao contexto, só depois tomando o tema ‘Allegro’; e, no ‘Adagio’, as imensas ternura e envolvente doçura do tema principal e respectivas reelaborações pelo solista.