01 OUTUBRO 2022  Sábado

Viena Clássica

21h00 Teatro Municipal de Bragança

 

Orquestra de Câmara de Viena
Filipe Pinto-Ribeiro
Piano
Mario Hossen
Violino
Gérard Caussé
Viola

PROGRAMA

Joseph Haydn (1732-1809)
Abertura “Acide e Galatea”

Concerto N.º 11 para Piano e Orquestra
    I. Vivace
    II. Un poco adagio
    III. Rondo all’Ungarese: Allegro assai

Wolfgang Amadeus Mozart (1756-1791)
Sinfonia Concertante para Violino, Viola e Orquestra KV. 364
    I. Allegro maestoso
    II. Andante
    III. Presto

NOTAS AO PROGRAMA

‘Acide e Galatea’ foi a primeira ópera italiana de Haydn, escrita para as festas dos esponsais do filho do Príncipe Nikolaus Esterházy (de cuja capela musical Haydn era então vice-mestre), tendo estreado em Eisenstadt a 11 de Janeiro de 1763 (e reposta até 1774). O tema provém da conhecida história mitológica, tal como narrada por Ovídio nas ‘Metamorfoses’, mas com um final adaptado para servir de alegoria do amor dos noivos. Infelizmente, cerca de 1/3 dos números cantados e a quase totalidade dos recitativos perderam-se, pelo que subsiste apenas em fragmento. A Abertura segue o habitual padrão formal Rápido-Lento-Rápido), com Rápido festivo e pomposo, Lento elegante e delicado e o segundo Rápido mais propulsivo no seu ímpeto ternário.
Apesar de designado ‘n.º 11’, na verdade apenas 3 concertos para tecla são sem qualquer dúvida atribuíveis a Haydn: aqueles de número 3, 4 e 11 no catálogo das suas obras. Não se sabe a data em que este concerto foi escrito, nem para quem ou para que ocasião. Foi, sim, editado em 1784 (Paris e Viena), pelo que se pensa que datará de 1782 ou 1783, ou seja, será contemporâneo dos primeiros concertos para tecla que Mozart escreve em Viena. Apresenta um 1.º andamento em forma-sonata (só um tema, mas com ideias secundárias), um andamento lento cheio de ‘gravitas’ e profundidade emocional, em que um tema secundário se vem a revelar mais importante na elaboração do que o primeiramente apresentado; e fecha com uma forma-refrão baseada em música tradicional “húngara” (termo que podia designar qualquer região da Hungria de então, desde a Croácia até à Transilvânia), mas que também nos soa ‘turco’!
A ‘Sinfonia concertante’ foi escrita em Salzburgo, no Verão/início do Outono de 1779, ou seja, poucos meses após o regresso de Mozart da grande viagem de 1777-79, cujas paragens principais foram Mannheim e Paris, dois locais onde o género da ‘sinfonia concertante’ era muito apreciado e cultivado. Aos dois solistas (violino e viola) e às cordas juntam-se pares de oboés e trompas. Esta obra atesta já daquela jorrante invenção melódica tão peculiar a Mozart – por ser inimitável! Os temas sucedem-se, todos de uma beleza sem mácula; motivos e ideias secundárias são por ele enriquecidos até alcançarem a mesma beleza; a orquestra é trabalhada no seu jogo interno, no seu intercâmbio/sua associação com os solistas com uma invenção inesgotável (e a perfeição de tudo!); os próprios solistas parecem Castor e Pollux – irmãos harmoniosos e inseparáveis! E depois: todo o requisito técnico está oculto sob um manto, ora de graciosidade, ora de majestade, ora de delicadeza, ora ainda de interioridade – falamos aqui em particular dos andamentos 1 e 2, que são pura poesia em som. O 3.º, o mais breve, leva-nos para o jovial, vivaz e galante: aqui, é o Mozart da ópera, do brilhantismo da Orquestra de Mannheim e da música de ocasião de Salzburgo que predomina e fecha em modo festivo esta obra.