07 OUTUBRO 2022  6ªfeira

Tango Fest

21h00 Teatro Municipal de Bragança

 

Marcelo Nisinman Bandoneón
Diana Tishchenko
Violino
Tiago Pinto-Ribeiro
Contrabaixo
Rosa Maria Barrantes
Piano
DSCH – Schostakovich Ensemble

PROGRAMA

Marcelo Nisinman (1970- )
Hombre tango

Astor Piazzolla (1921-1992)
Oblivion (Arr. M. Nisinman)

Marcelo Nisinman (1970- )
Pourquoi tu te lèves

Astor Piazzolla (1921-1992)
Adiós Nonino (Arr. M. Nisinman)
Jeanne & Paul (Arr. M. Nisinman)

Marcelo Nisinman (1970- )
Argentinos en Europa

Astor Piazzolla (1921-1992)
Invierno Porteño

La fin del mundo (Arr. Nisinman)

Histoire du Tango
    I. Bordel 1900
    II. Café 1930
    III. Nightclub 1960
    IV. Concert d’Aujourd’hui

NOTAS AO PROGRAMA

Astor Piazzolla (1921-1992) é uma figura central da música argentina do século XX, pelo modo, primeiro polémico, hoje consensual, como revolucionou a tradição ‘tanguera’, insuflando no idioma tradicional dos tangos e milongas influências da música erudita da tradição europeia (que ele estudou) e do jazz norte-americano (que ele frequentou assiduamente). Ao mesmo tempo, como virtuose do bandoneon, fixou esse instrumento como parte inseparável da cor sonora do tango. Efeito da sua acção foi a chegada da música de tango à programação das salas de concerto (e festivais) tradicionais. Uma súmula sonora dessa evolução do tango é realizada pela obra ‘Histoire du Tango’, escrita em 1985, originalmente para flauta e guitarra, o duo de instrumentos que, junto com o violino, aparece nas primeiras referências históricas ao tango, de há aprox. 140 anos. Com intervalos de 30 anos, passa-se do bordel para o café para o night-club e para a sala de concertos: descreve-se as mudanças no modo como os tangos eram escritos (harmonias, ritmos, ‘tempi’, acentuações), mas também do modo como eram sentidos/apercebidos, como passaram de música de dança para música de escuta, passando pelo tango-canção. A internacionalização (ou seja, a acção de Piazzolla) sobrevém a partir de 1960, inclusive indo buscar à ‘Bossa Nova’ que por esses anos “explodia” internacionalmente.
‘La fin del mundo’ provém da banda sonora assinada por Piazzolla para o filme argentino desse nome (de 1963), realizado por Emilio Vieyra. ‘Oblivion’, um tango lento, está também ligado ao cinema, pois é o tema principal do filme ‘Enrico IV’ (1984), do italiano Marco Bellocchio, adaptando a peça de Pirandello desse nome e tendo um duo protagonista de luxo: Mastroianni e ‘la Cardinale’! Ainda do cinema vem ‘Jeanne et Paul’, escrito com a intenção de figurar na banda sonora do famoso filme ‘O último tango em Paris’ (1972). Mas Astor atrasou-se a completar o encargo e o contrato foi anulado. A peça acabaria reciclada no obscuro filme ‘Cadaveri eccelenti’.
‘Adiós Nonino’ é o tema mais famoso de Piazzolla, quase a sua peça-emblema. Foi escrito no final de 1959, em Nova Iorque (onde Astor então residia), pouco após receber a notícia da morte do pai, Vicente (que era tratado pela alcunha afectiva de ‘Nonino’). Foi das primeiras peças a estabelecer o padrão formal que se tornará típico de Piazzolla, com a sucessão rápido-lento-rápido-lento-Coda.
‘Invierno Porteño’ é uma das ‘4 Estações Portenãs’, escritas em 1965-70 e estreadas a 19/5/1970, em Buenos Aires. ‘Invierno’ foi originalmente destinado ao quinteto-base de Piazzolla, apenas com viola de arco em vez de violino, mas hoje faz-se em variadas transcrições.
Marcelo Nisinman (Buenos Aires, 1970), bandoneonista, compositor e arranjador, tem continuado a veia de inovação do tango empreendida por Piazzolla (que foi seu professor), inclusive cruzando o idioma ‘tanguero’ com técnicas de composição de vanguarda e/ou experimentais.
‘Hombre Tango’ abre o registo em CD do mesmo nome, editado em 2018. É uma música de pendor obsessivo, com bastantes ritmos irregulares (logo, não ‘tangáveis’). ‘Pourquoi tu te lèves’ (2005) descreve uma história de amor que começa bem e acaba mal, num ambiente quase psicadélico. Por fim, ‘Argentinos en Europa’ vem do álbum ‘TangoArt’ (ed. 2011, reed. 2020), que junta Nisinman ao Ensemble Musica Urbana. É uma peça bem diferente das anteriores, pois nela predomina o elemento burlesco.