fotografias: David Vaz

09 OUTUBRO 2021  Sábado

Maria de Buenos Aires
Ópera-tango de Astor Piazzolla

21h00 Teatro Municipal de Bragança

 

Ana Karina Rossi Maria de Buenos Aires

Rubén Peloni Tenor

Daniel Bonilla-Torres El Duende

Héctor Del Curto Bandoneón e Direcção musical

David Castro-Balbi Violino solo

Charlotte Chahuneau Violino II

Francisca Fins Viola

Kyril Zlotnikov Violoncelo

Tiago Pinto-Ribeiro Contrabaixo

Nuno Inácio Flauta

Rosa Maria Barrantes Piano

Adrián Fioramonti Guitarra eléctrica

André Camacho e Pedro Carvalho Percussão

Ópera-tango de Astor Piazzolla (1921-1982)
Libreto de Horacio Ferrer (1933-2014)
 
PROGRAMA
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1. Alevare
Meia noite em Buenos Aires. O Duende, espírito da noite de Buenos Aires, evoca a imagem e esconjura a voz de Maria de Buenos Aires.

2. Tema de María
A voz de Maria acode à convocatória do Duende.

3. Balada para un organito loco
O Duende pinta a memória de Maria, auxiliado pela voz de um Payador (“trovador argentino”) e pelas vozes dos Homens que voltaram do mistério.

4. Yo soy María

5. Milonga Carriguera
Presente a sua memória e esconjurada a imagem de Maria, começa o relato da sua vida. Um menino de esquina chamado Porteño Gorrión con Sueño (“Pardal de Buenos Aires com Sonho”) descreve a Menina Maria como magnetizada pela força que a empurra para longe dele. Descreve, então, quando ela o deixa e o abandona, e ele a predestina para ouvir, para sempre, a sua desprezada voz masculina na voz de todos os homens.

6. Fuga y mistério
Silenciosa e alucinada, Maria deixa o seu bairro e atravessa Buenos Aires em direcção ao centro da cidade e à sua noite mais profunda.

7. Poema valseado
Acanalhada pelo Bandoneón, como nas antigas lendas do tango, Maria canta a sua conversão à vida escura.

8. Tocata rea
Preso na própria história que vem cantando, o Duende procura o Bandoneón, desafia-o e bate-se em duelo com ele.

9. Miserere canyengue
Ferida de bala que o Bandoneón tem no seu alento, Maria desce aos esgotos. Ali o Ladrón Antiguo Mayor (“Ladrão Antigo Ancião”) condena a Sombra de Maria a regressar ao outro inferno – o da cidade e da vida – e a vaguear eternamente pela cidade danificada pelas luzes de Buenos Aires, as suas próprias luzes. Então, perante o seu corpo moribundo, Ladrones y Madamas (“Ladrões e Meretrizes”) informam o Ladrón Mayor que o coração de Maria morreu.

10. Contramilonga a la funeral
O Duende narra o funeral que as criaturas da noite fazem para a primeira morte de Maria.

11. Tangata del alba
Já enterrado o corpo de Maria, a sua sombra, Sombra Maria, cumpre a sentença do Ladrón Antiguo Mayor, deambulando pelas ruas da cidade e perdida do Duende.

12. Carta a los árboles y a las chimeneas
Sem saber em quem confiar e a quem contar a sua mágoa, a Sombra Maria escreve uma carta às árvores e às chaminés do bairro natal de Maria.

13. Aria de los analistas
Mais tarde, Sombra Maria chega ao circo dos psicanalistas, onde, incentivada pelo Primeiro Analista – que a confunde com a falecida Maria – faz a pirueta de arrancar-se memórias que não tem.

14. Romanza del Duende
Morta Maria, nos esgotos, e perdido o rasto de Sombra Maria, o Duende diz-lhe um tango, encostado no estanho de um bar mágico e absurdo. E envia-a com os paroquianos dessa taberna uma mensagem desesperada incitando-a a descobrir nas coisas e nos fatos mais simples, o mistério da concepção. As Tres marionetas Borrachas de Cosas (“Três marionetas Bêbadas de Coisas”) revelam que o Duende se apaixonou pela Sombra Maria.

15. Allegro Tangabile
Os compinchas do Duende ganham as ruas de Buenos Aires em busca do germe de um filho para Sombra Maria.

16. Milonga de la Anunciación
Sombra Maria é atingida pela mensagem de amor do Duende e abraça-se à revelação da fertilidade.

17. Tangus Dei
Amanhece um domingo de Buenos Aires. O Duende e uma Voz daquele domingo notam algo sobrenatural na manhã. É que no mais alto de um prédio em construção está dando à luz Sombra Maria. Mas as Amasadoras de Tallarines (“Amassadoras de Esparguete”) e os Tres Albañiles Magos (“Três Pedreiros Magos”) gritam, assombradosos, que daquela mãe que por sombra é virgem, não nasceu um tipo de menino Jesus mas uma menina. É a própria Maria, já morta, que ressuscitou da sua própria Sombra pelo amor do Duende, ou é outra? Tudo está concluído ou apenas começa?